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Graças a deus robôs vão acabar com o trabalho de estagiário dos advogados formados.

23 de junho de 2018

A atuação de robôs e o uso da inteligência artificial irá trazer mais justiça ao mundo através de processos mais eficientes e mais baratos.

A tecnologia já mudou fortemente a área industrial. Quando no passado se empregavam milhares de trabalhadores para produzir um carro, hoje as maquinas fazem grande parte do trabalho repetitivo, de risco e de baixo valor agregado. Recentemente uma fábrica na China começou a substituir os trabalhadores por robôs e aumentou de imediato a produtividade em 250%.

Os serviços de logística e varejo também avançam a largos passos na automação e eliminação de trabalhos de pouco valor, repetitivos e sem valorização do ser humano.

Mas a intenção de nosso artigo é falar da área jurídica. O risco que os advogados estão expostos com a criação de soluções eletrônicas para resolução de conflitos, buscas inteligentes que não necessitam mais pessoas para preparar a argumentação e assim por diante. Tudo isso pode estar colocando em risco a profissão do Advogado em um futuro próximo.

Essa é a ideia imediata de qualquer um desatento ao que está acontecendo no mundo. As profissões com menores salários estão sendo substituídas por algoritmos, inteligência artificial e robôs. Mas popr outro lado isso abre a oportunidade do verdadeiro trabalho intelectual de um advogado, podendo esse agora tirar maior proveito de seu talento explorando não o passado, mas como as leis devem nortear o mercado no futuro que está emergindo.

A tecnologia traz novas relações de trabalho, de consumo, de tributação e ainda de estruturas corporativas. Essas são as grandes áreas que o Direito e seus profissionais precisam endereçar. Precisamos parar de usar o passado para nos nortear e pensar como o futuro vai configurar as nossas vidas e as relações.

Hoje a tecnologia já lê documentos, e para fazer isso na área jurídica é apenas um piscar de olhos. Quando menos esperarmos isso estará acontecendo. A transformação de um escritório de advocacia é natural. A maioria começa processando casos e depois com a experiencia e conhecimento passa a definir rumos legais através de interpretações e redesenho das soluções.

Todo trabalho repetitivo é absolutamente entediante, principalmente na área jurídica. O que a maioria dos advogados chama de “pegar o jeito” nada mais é do que saber o que precisa fazer dependendo da “petição inicial”. Isso não é trabalho de uma pessoa formada, inteligente e capacitada. Isso é o trabalho de um robô.

Nesse trabalho é muito fácil “deixar algo passar”. Isso nunca passaria com um robô. Uma busca no Google é sempre muito mais completa do que uma busca realizada por um profissional da área jurídica. Aí está o risco de ficarmos achando que nosso futuro é realizar tarefas repetitivas. A confiança de saber algo é fator crítico de risco, de acidente ou de erro.

O ROSS, que é o “advogado digital” baseado na plataforma de Inteligência Artificial da IBM, o WATSON, já tem gerado muito resultado para os escritórios de advocacia que o utilizam.

Mas falamos muito da discussão de uma causa, os advogados acabarão usando seus talentos em paralelo a ferramentas de inteligência artificial e robôs para resolver casos mais complexos, de múltiplas dimensões e stakeholders e com elementos de avaliação subjetiva ou ainda para discutir, principalmente disputas entre o setor privado e o setor público.

As demais relações comerciais voluntarias, que são em sua maioria transacionais, tem uma grande chance de serem resolvidas por meios alternativos para solução de conflitos, garantindo confidencialidade, eficiência e conveniência para as partes envolvidas e nesses casos nem advogados serão necessários. O mais interessante ainda é que podemos esperar que os conflitos comerciais transacionas tendam a desaparecer, pois as empresas que ainda operarem em altos níveis de frustração de expectativas com seus clientes e consumidores certamente perderão mercado.

Soluções como a ResolvJá, que promove a resolução de conflitos oriundos de uma expectativa não realizada de uma transação comercial, conhecida como uma reclamação, já tem avançado com muito sucesso com seus clientes e parceiros resolvendo reclamações através de três níveis: negociação direta entre cliente e fornecedor, mediação, com a participação de um terceiro para definir uma solução conjunta, ou ainda através de uma arbitragem onde um terceiro é selecionado para definir a solução para o caso.

Tudo isso à disponível em ambiente digital também, garantindo o que as empresas mais querem, eficiência, conveniência e confidencialidade e também atendendo as necessidades da geração Millennial de comunicação e solução de conflitos.

Outra solução interessante é a Melhor Acordo que trabalha com casos já judicializados propondo acordo entre as partes em ambiente digital, com ajuda de um algoritmo de propostas e contrapropostas e as partes interagindo em ambiente digital o tempo todo na conveniência de cada um.

Um terceiro que esta no mercado a muito tempo é a Câmara Arbitral de São Paulo, que tem atuado em mediações e arbitragens a mais de 10 anos com grande sucesso.

Esses três exemplos conseguem tacas de acordo superiores a 90% e prazos médios de 30 dias. Isso certamente.

Esse caminho é certamente mais ameaçador para os Advogados que passam de protagonistas na direção e delineamento de um caso para meros coadjuvantes que em sua maioria não são nem convidados para a “conversa”.

As oportunidades são inúmeras, mas certamente não para o trabalho rotineiro, repetitivo de alto índice de erros e falhas, mas a oportunidade é enorme para desenhar as novas regras entre as relações dos negócios que ainda estão por vir, é a oportunidade dos Advogados utilizarem seu verdadeiro talento a favor do desenho de uma sociedade futura mais justa.

O livro “Do Conflito ao Acordo na Era Digital” também destaca de forma bastante didática a oportunidade das soluções alternativas ou adequadas para solução de conflito quando abordadas em um ambiente digital. A sociedade como um todo não aceita mais “esperar”, deslocar-se para locais “fora de mão” e inconvenientes em termos de local, horário e modus operandi. Destacamos no livro ainda a oportunidade de se redesenhar a justiça e a resolução de conflitos, abrindo uma oportunidade para os novos negócios atuarem de maneira mais eficiente nessa área, mais importante ainda, aprendendo mais rapidamente com os erros.

 

Thomas Eckschmidt (Coautor de “Do Conflito ao Acordo na Era Digital)
Co-founder da Melhor Acordo